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30/07/15

subtexto

Escondido entre o que era dito: o que na verdade sentia. Foi claro, não? Julgo que sim.
Por vezes canso-me que me conheçam. Pouco espaço para existir quando só nos reconhecemos. Nesse processo algo que é precioso perde-se.
Talvez só assim a máquina funcione, mas mesmo assim. Aquilo que agora sou é mais que o somatório do que tenho sido.

Irrelevante, parece-me.

22/07/15

hip-hop

Fui ao Barbeiro, o mesmo a que vou desde que tenho 5 anos. Disse-lhe que gostava de hip-hop, ele ficou em estado de choque:

- Então tu, um gajo como tu Nuno! é do Benfica e gosta de Hip-Hop?! Foda-se!

E pronto. O mal está feito. Com honestidade se arruína uma relação com mais de 20 anos.

08/07/15

Cocorosie

Fomos ver as cocorosie. Quarta vez, feito groupie: até uma foto tenho com elas. O que interessa: alma imensa, entrega total, um verdadeiro espectáculo. Uma atitude escassa - dever cumprido para com o público. Cumpriram. E de que maneira.

01/07/15

Enquanto o sangue ferve o espaço alastra.

21/10/14



Praia da Poça. Calor seco, céu limpo. A água quente convidativa.

Estranho. Banhos quase em Novembro. 

Foi nesta praia que a minha Mãe e os seus irmãos passaram a infância, cinquenta anos antes.

Aqui.

Imagino-os a brincar na areia, a minha Avó atarefada e distante entre os planos do dia.

E agora eu. Na praia deles. Imaginando-os quando não existia. 

10/09/14


o mais perto que estive deste Verão

13/07/14

quando aqui venho - à minha casa digital - passo no que aqui coloquei e começo a editar. Ou apago. É um processo chato mas necessário. é chato (e se é chato, coça. coça faz ferida. faz ferida vai ao médico. vai ao médico paga. paga é chato. é chato coça) porque constantemente reparo em aspectos que me desagradam. 

é necessário porque devemos tentar sempre fazer melhor

e há que limar arestas.

até ao próximo edit.















ou delete

08/04/14


As primeiras noites quentes são o prenuncio dos dias que virão. Mesmo assim não estamos livres da chuva.


20/02/14

Pintar

Estudar pintura deu-me duas coisas e tirou-me uma.

Deu-me acima de tudo método e disciplina. A validade do exercício e como este se transporta para o trabalho dito autoral, difícil de obter de forma autodidacta. Acresce a capacidade de abstracção da essência de um trabalho que, como na escrita, é absolutamente solitário. Aqui a possibilidade de continuar a trabalhar mesmo em períodos vazios de criatividade ou rasgo.

Num segundo plano estudar obrigou-me a questionar, o que se revelou construtivo e contraproducente. Por um lado aguçou a curiosidade promovendo a auto-instrução, por outro, afastou-me da fundação inicial: a capacidade de pintar por impulso. Limitou-me de certa forma a liberdade.

Relembro um episódio em que o professor Y queria que eu aumentasse a escala dos meus desenhos, numa altura em que estava a trabalhar sobre papel A1 (59,4x84,1cm) e A2 (42x59,4cm). Fui, naturalmente, diminuindo a escala. Não por me julgar Salvador Dali mas porque era o que na altura fazia sentido, a produção em série num curto espaço de tempo assim melhor se coaduna. A cena culminou quando mostrei uma série de desenhos tão pequenos que o professor disse - e com razão - que não estava ali para fazer postais. 

Adquiri a noção do quão difícil (sendo generoso) é ensinar Arte. Sendo o ensino da Arte um negócio que nos prepara para um outro negócio - o mercado da Arte - a certo ponto sentimos-nos a debater contra-sensos. 

A pintura deu-me algo que não foi ensinada: uma nova forma de olhar. Apercebi-me que tinha o olhar educado. Antes de observar e analisar, reconheço e associo. Aprender a pintar é em parte aprender a contrariar esta visão adquirida. Só perante o exercício de retratar um tema o decompus, e gradualmente adquiri consciência de uma riqueza visual escondida que abunda em tudo. 




morandi


18/02/14

O inevitável

hoje vais ler este post até ao fim

O que um tipo é

Agora sou um tipo entusiasmado. Acho que as coisas no estudo tão bem encaminhadas e que vou conseguir fazer aquilo que quero. 


Sou (também) um tipo feliz. E a razão para isto é simples: sou um tipo feliz porque sou um tipo com sorte. Agora quando ouço dizer que a sorte só favorece os audazes, faço aquele sorriso maroto. Adorava acreditar nisto porque acho que me sentiria um tipo bem mais à maneira. Um tipo audaz e tal. A verdade é que não acredito. E duvido que aquele vagabundo que ganhou o euro milhões (e que o estoirou e dois dias) acredite. Se eu ganhasse o euromilhões não me iria considerar um tipo audaz. Considerar-me-ia, e isso sem duvida alguma, um tipo cheio de papel. No fundo, o que um gajo é, varia muito. Mas a verdade é esta: - Se eventualmente eu ganhasse o euromilhões, pensar no tipo de tipo que sou não iria certamente ocupar muitos dias na minha agenda.



Florença, 5 de Junho de 2008 

oh well, fast-foward até hoje. não ganhei o euromilhões mas estou mais audaz que nunca.

03/02/14


O meu riscas deixou a casa eternamente vazia
Mas é como se estivesse sempre aqui

16/12/13

Nestes dias não tenho tido absolutamente nada, para além de trivial, que consiga transmitir.

Um espectador entretido mas recatado.

Esta calma aparente é no entanto contraposta por uma abundância de sentimentos.

Nada a acrescentar.

03/12/13

garfo / iogurte

hoje comi um iogurte com um garfo (na ausência de uma colher) e acabou por ser bastante mais exequível do que imaginava. da teoria à prática

28/09/12


Herdei o bom olho da minha mãe e o seu mau feitio. Tenho certeza da segunda.


bater no fundo

ganhar impulso

24/09/12

más decisões


das más decisões mais mazelas que lições

 .